Não importa o tempo que leve, mas nunca desista do sonho!

Há dias que nos apetece apanhar o carro e explorar Portugal! Foi num desses dias que a empresária Ana Maria conheceu o escultor Manuel Joaquim Barroco, mais conhecido como Manuel Barroco.

Um senhor de 80 anos, de uma simpatia ímpar, ex-professor de geometria descritiva e escultor por paixão, nascido e criado na Quinta das Quebradas, na aldeia de Mogadouro, situada no nordeste trasmontano.

Filho de agricultores produtores de amêndoas, azeite e cortiça, desde cedo que o senhor Barroco percebeu que adorava as artes, mas, naquela época, década de 40, os filhos faziam o que os pais diziam e com o senhor Barroco não foi diferente. Estudou e seguiu a carreira escolhida pela família. Por orientação do irmão voluntariou-se na Força Aérea.

Durante 40 anos viveu em Lisboa.

“Eu vim para Lisboa devido à Força Aérea, mas dentro de mim carregava a certeza de que ainda iria cursar o curso que tanto queria.  A minha paixão pelas esculturas vem de família, embora o meu pai não estivesse ligado à escultura e à pintura, ele fazia trabalhos interessantes e eu queria-me aprofundar naquela área. Quando a pressão da família cessou eu pude finalmente ingressar na Escola Superior de Belas Artes em Lisboa e tirar a licenciatura em Escultura”, contou o escultor.

“Os trabalhos de escultura vêm de um percurso que eu comecei há muitos anos. Lembro-me que ainda miúdo já fazia desenhos e que passava horas a ver os trabalhadores a picar as pedras, a fazer canteiros e pensava ‘isso também eu faço!’ Na minha terra há trabalhos feitos em pedra cujos desenhos foram feitos por mim, quando eu andava na terceira classe”, recordou o artista.

 “Naquela época fazia tudo por intuição e muitos anos depois consegui estudar e acredito que os meus desenhos, as minhas pinturas e esculturas, que têm um cariz contemporâneo, melhoraram um pouco, para melhor, é claro”, frisou, sorridente.

 

Manuel Barroco constituiu família em Lisboa e lá montou o seu próprio atelier, onde trabalhava em paralelo à carreira de professor. O escultor contou que trabalha mais em cima de temáticas como, por exemplo, temas ligados à fauna e à flora. Contudo, no decorrer dos anos, o que mais o ocupou foi o tema ligado às mulheres, o lado feminino.

“Tudo serve para virar uma pintura, uma escultura. O universo feminino é inspirador! Às vezes um pequeno risco numa parede pode dar origem a uma peça de escultura e tudo serve para influenciar o artista”, explicou o trasmontano.

Manuel Barroco é um artista de peças de exterior de dimensões grandiosas, de esculturas de espaços públicos em várias vilas, cidades e que lhes dão muita satisfação em tê-las feito, como é o caso do “Monumento aos Combatentes” que se encontra em Mogadouro, a sua terra natal. Além disso, ao longo dos anos, o escultor recebeu vários prémios e participou em diversos simpósios nos quais fez esculturas que ficaram para a cidade onde ocorria o evento.

É facto que Manuel Barroco tem uma paixão pelas esculturas e pinturas e, por isso mesmo, mantém o atelier em Lisboa e criou um outro na Casa das Quintas, onde vive com a filha Ana Barroco. 

“Continuo a ter ligações com a capital, mas é aqui que eu passo o meu tempo já há 12 anos. A Quinta é da minha família e estava parada, com o mato a subir e então decidimos investir no turismo de habitação rural e assim voltar às minhas raízes”, detalhou.

 “Chega do tumulto da cidade grande. Estou no tempo de aproveitar a vida, a paz do campo, ter tempo para a família, os amigos, valorizar a minha terra, mostrar aos de dentro e de fora de Portugal a beleza de Trás-os-Montes, assim como também preciso de ter inspiração e tempo para confecionar as minhas esculturas. E para finalizar, se me permitem, eu queria apenas dizer aos jovens escultores que além da habilidade, da vocação, do talento que vem de dentro da alma para se desenvolver e ter uma carreira promissora é preciso aproveitar tudo que estiver ao seu alcance, toda a formação, todos os conhecimentos técnicos e nunca, nunca desistir”, concluiu o proprietário das Casa das Quintas, professor e escultor Manuel Barroco.


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